
Quem disse que não tem nada de bom na TV brasileira, especialmente aos domingos?
Não é comum, mas nesse domingo acordei, relativamente, cedo. Resolvi bater um bolo e, enquanto isso liguei a televisão e sintonizei na TVE, como sempre faço quando acordo cedo no domingo. Existem dois programas que considero muito bons. Um na sequência do outro.
Eu cresci ouvindo música caipira e moda de viola.
Pena Branca e Xavantinho,
Tonico e Tinoco,
Tião Carreiro e Pardinho, entre outros, faziam parte da discoteca do meu pai, que ouvia religiosamente todos os dias seus discos "long play's".
Achava horrível, pois mesmo criança e, principalmente, adolescente é bastante influenciada pelos modismos musicais. Com destaque para a música norte-americana. Eu gostava mesmo era de um disco do
Alice Cooper que a tia Be tinha (acho que ainda tem), que continha a música "I never cry", mesmo sem ter a mínima idéia do significado da letra.

Além disso, lembro que a capa do disco era verde, com Alice Cooper no mais perfeito estilo heavymetal. E eu era uma rebelde sem causa...
Com o passar dos anos comecei a conhecer e tomar gosto pela música brasileira. Fui me apaixonando por diversos nomes da MPB, com destaque para
João Bosco.
Na minha opinião o melhor e mais completo. Bosco é cantor, instrumentista, compositor e com um estilo absolutamente próprio e inconfundível. O máximo.
Acontece que quem realmente admira as coisas do Brasil, inevitavelmente, se confronta com a música regional, produzida com maestria, nos diversos cantos do país.

Assim conheci também
Xangai, Elomar, Vital Farias, Paulinho Pedra Azul, Francisco Aafa, Teca Calazans e uma infinidade de grandes nomes.
Indo mais longe, nos deparamos com quem? Com os músicos que embalaram a minha infância e que, por falta de ouvido musical, ou simplesmente preconceito eu não conseguia perceber a beleza daquele dedilhar de viola.
Aprendi a apreciar a música pelo agrado que ela me faz aos ouvidos. Eu não entendo nada de notas musicais, partituras e o escambau. Mas sei perfeitamente quando uma música é bem tocada, quando seu sons têm harmonia. O Sandro Ferraz, que é músico, sempre diz que eu sei ouvir música. Acho que é verdade.

E, nesse domingo que passou, assisti ao Viola Minha Viola, apresentado por
Inezita Barroso e Senhor Brasil, apresentado por
Rolando Boldrin. Ambos resgatam essa música chamada de caipira, que eu prefiro chamar de brasileira. Essencialmente brasileira.
Inezita recebeu em seu programa
Renato Teixeira e seu filho Chico Teixeira (que tive o prazer de assistí-los num espetáculo no Teatro da CEF, em Brasília) e
Milionário e José Rico. Já Rolando Boldrin, recebeu
Almir Sater.
Há o que contestar?
Meu domingo musical foi perfeito.