Me anima o acontecimento da Conferência Nacional de Comunicação, pois trata-se de um momento em que se abre a possibilidade de participação popular e controle social dessa área tão importante na sociedade, especialmente nos dias atuais, onde a informação ganha cada vez mais abrangência e velocidade.

O simples fato da realização da Confecom já pode ser considerado um avanço e uma conquista da sociedade brasileira. Mas é possível ir além. Com organização, podemos deliberar questões importantes. Podemos oferecer ao governo subsídios para a formulação de políticas públicas.
Leis que disciplinem as concessões públicas dos serviços de TV, com controle público, por exemplo. Ou, ainda, ampliar as concessões comunitárias de rádio e TV. É possível também que indiquemos a ampliação do acesso às tecnologias e a inclusão digital, entre outras questões em debate.
Para isso, entretanto, é preciso garantir, já na elaboração do regimento da Confecom, que as deliberações da Conferência tenham caráter vinculativo, ou seja, que as resoluções tornem-se obrigação de cumprimento.
Antes disso, porém, há outra batalha, talvez mais importante, que é a garantia de uma proporcionalidade de participantes que reflita a composição da sociedade, como já ocorrem em outras áreas.
A Confecom precisa ter delegados representativos da sociedade civil, dos empresários e dos governos. Mas há que se ter um critério que estipule o maior percentual para usuários. Não estabelecer esse critério é colocar em risco de inchaço do poder econômico a Confecom.
De toda forma, me anima muito. A realização dessa conferência aperfeiçoa a democracia brasileira. Precisamos cada vez mais pensar a mídia, conversar sobre ela com as pessoas que nos rodeiam, debater a importância da comunicação e o tipo de comunicação que queremos no nosso país.